CAUSOS

 

 

 

 

AS ESCRITURA KKKKK

 

Pois não sei se já les contei os causo das Escritura Sagrada. Se não les contei, les conto agora. A história essa é meio comprida, mas vale a pena contá por causa dos revertério. De Adão e Eva acho que não é perciso contá os causo, porque todo mundo sabe que os dois foram corrido do Paraíso por tomá banho pelado numa sanga.

 

Naqueles tempo, esse mundaréu todo era um pasto só sem dono, onde não tinha nem dele nem meu. O primeiro índio a botá cerca de arame foi um tal de Abel. Mas nem chegou a estendê o primeiro fio porque levou um pontaço no peito do irmão dele, um tal de Caim, que tava meio desconforme com a divisão. O Caim, entonces, ameaçado de processo feio, se bandeou pro Uruguay. Deixou o filho dele, um tal de Noé, tomando conta da estância. A estância essa ficava nas barranca de uma corredera e o Noé, uns ano despois, pegou uma enchente muito feia pela frente. Cosa munto séria. Caiu uma barbaridade de água. Caiu tanta água que tinha até índio pescando jundiá em cima de cerro. O Noé entonces botou as criação em cima de uma balsa e se largou nas correnteza, o índio velho. A enchente era tão braba que quando o Noé se deu conta a balsa tava atolado num banhado chamado Dilúlvio.

 

Foi aí que um tal de Moisés varou aquela água toda com vinte junta de boi e tirou a balsa do atoleiro. Bueno, aí com aquele desporpósito, as família ficaram amiga. A filha mais velha do Noé se casou-se com o filho mais novo do Moisés e os dois foram morá numa estância muito linda, chamada estância da Babilônica. Bueno, tavam as família ali, tomando mate no galpão, quando se chegou um correntino chamado Golias, com mais uns trinta castelhano do lado dele. Abriram a cordeona e quiseram obrigá as prenda a dançá uma milonga.

 

 

ESCRITURA : PARTE II

 

 

Foi quando os velho, que eram de muito respeito, se queimaram e deu-se o entrevero. Peleia braba, seu. O correntino Golias, na voz de vamos, já se foi e degolou de um talho só o Noé e o velho Moisés. E já tava largando planchaço em cima do mulherio quando um piazito carretero, de seus dez ano e pico, chamado Davi, largou um bodocaço no meio da testa do infeliz que não teve nem graça. Foi me acudam e tou morto. Aí a indiada toda se animou e degolaram os castelhano. Dois que tinham desrespeitado as prenda foram degolado com o lado cego do facão. Foi uma sanguera danada. Tanto que até hoje aquele capão do Mar Vermelho.

 

Mas entonces foi nomeado delegado um tal de major Salomão. Homem de cabelo nas venta, o major Salomão. Nem les conto! Um dia o índio tava sesteando quando duas velha se bateram em cima dum guri de seus seis ano que tava vendendo pastel. O major Salomão, muito chegado ao piazito, passou a mão no facão e de um talho só cortou as velha em dois. Esse é o muito falado causo do Perjuízo de Salomão que contam por aí.

 

Mas, por essas estimativas, o major Salomão, o que tinha de brabo tinha de mulherengo. Eta índio bueno, seu. Onde boleava a perna, já deixava filho feito. E como vivia boleando a perna, teve filho que Deus nos livre. E tudo com a cara dele, que era pra não havê discordância. Só que quando Deus nosso Senhor quer, até égua véia nega estribo. Logo a filha das predileção do major Salomão, a tal de Maria Madalena, fugiu da estância e foi sê china de bolicho. Uma vergonhera pra família. Mas ela puxou a mãe, que era uma paraguaia meio gaudéria que nunca tomo jeito na vida. O pobre do major Salomão se matou-se de sentimento, com uma pistola Eclesiaste de dois cano.

 

Sérgio Jockymann
Gentileza de Cesar Augusto Ilgenfritz

 

 

POBREZA E RIQUEZA

 

 

Um dia um pai de família rica levou seu filho para viajar para o interior com o firme propósito de mostrar quanto as pessoas podem ser pobres. Eles passaram um dia e uma noite na fazenda de uma família muito pobre. Quando retornaram da viagem o pai perguntou ao filho: "Como foi a viagem?" "Muito boa Papai!." "Você viu como as pessoas pobres podem ser?" O pai perguntou. "Sim." "E o que você aprendeu?" O pai perguntou.

 

O filho respondeu: "Eu vi que nós temos um cachorro em casa, e eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança o meio do jardim; eles têm um riacho que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada com luz, eles têm as estrelas e a lua. Nosso quintal vai até o portão de entrada, eles têm uma floresta inteira." Quando o pequeno garoto estava acabando de responder, seu pai ficou estupefato. O filho acrescentou: "Obrigado, pai, por me mostrar o quanto "pobres" nós somos!." MORAL DA HISTÓRIA: Tudo o que você tem depende da maneira como você olha para as coisas. Se você tem amor, amigos, família, saúde, bom humor e atitudes positivas para com a vida, você tem tudo! Se você é "pobre de espírito", você não tem nada!

 

 

 

 

O SAPATEIRO POBRE

 

 

Havia um sapateiro que trabalhava à porta de casa e todo o santíssimo dia cantava. Tinha muitos filhos, que andavam rotinhos pela rua, pela muita pobreza, e à noite, enquanto a mulher fazia a ceia, o homem puxava da viola e tocava os seus batuques muito contente. Ora defronte do sapateiro morava um ricaço, que reparou naquele viver e teve pelo sapateiro tal compaixão que Ihe mandou dar um saco de dinheiro, porque o queria fazer feliz.

 

O sapateiro lá ficou admirado. Pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a mulher para o contarem. Naquela noite, o pobre já não tocou viola. As crianças, como andavam a brincar pela casa, faziam barulho e levaram-no a errar na conta, e ele teve de lhes bater. Ouviu-se uma choradeira, como nunca tinham feito quando estavam com mais fome. Dizia a mulher: - E agora, que havemos nós de fazer a tanto dinheiro? - Enterra-se! - Perdemos-lhe o tino. É melhor metê-lo na arca. - Mas podem roubá-lo! O melhor é pô-lo a render. - Ora, isso é ser onzeneiro! - Então levantam-se as casas e fazem-se de sobrado e depois arranjo a oficina toda pintadinha. - Isso não tem nada com a obra! O melhor era comprarmos uns campinhos. Eu sou filha de lavrador e puxa-me o corpo para o campo. - Nessa não caio eu.

 

- Pois o que me faz conta é ter terra. Tudo o mais é vento. As coisas foram-se azedando, palavra puxa palavra, o homem zanga-se, atiça duas solhas na mulher, berreiro de uma banda, berreiro da outra, naquela noite não pregaram olho. O vizinho ricaço reparava em tudo e não sabia explicar aquela mudança. Por fim, o sapateiro disse à mulher: - Sabes que mais? O dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria! O melhor era ir levá-lo outra vez ao vizinho dali defronte, e que nos deixe cá com aquela pobreza que nos fazia amigos um do outro! A mulher abraçou aquilo com ambas as mãos, e o sapateiro, com vontade de recobrar a sua alegria e a da mulher e dos filhos, foi entregar o dinheiro e voltou para a sua tripeça a cantar e a trabalhar como de costume.

 

 

AS IRMÃS GAGAS

 

 

Uma mãe tinha três filhas e todas eram tatas. Para fazer que elas não perdessem casamento, disse-lhes: - Meninas, é preciso estarem sempre caladas quando vier aqui a casa algum rapaz. Doutro modo, nada feito! De uma vez, trouxe-lhes um noivo para ver se gostava de alguma delas, e tinha-se esquecido de repetir a recomendação às filhas. Estavam, pois, elas na presença do noivo, que ainda não tinha dado sinal para quem ia a sua simpatia, quando uam delas sentiu chiar o lume. E logo disse muito lampeira: - Ó mãe, o tutalinho fede (isto é: «O pucarinho ferve»)! Diz dali a outra irmã:

 

- Tira-le o této e mete-le a tolé (isto é: «Tira-lhe o testo e mete-lhe a colher»). A última, zangada por ver que as irmãs não obedeciam à habitual recomendação da mãe, exclamou: - A mãe nam di que não falará tu? Pois agora não tasará tu (isto é: «A mãe não disse que não falarás tu? Pois agora não casarás tu)! O noivo, assim que viu que todas elas eram tatibitate, desatou a rir e fugiu pela porta fora. (Contos Portugueses)

 

 

 

 

AS CORES DO OUTONO

 

 

A pintora Rosa Ratinha pintava quase todos os seus quadros no estúdio. Só no Outono é que saía para pintar ao ar livre. O Outono era a estação preferida de Rosa. Havia tantos matizes surpreendentes na paisagem!

 

Certa vez, num belo dia de Outono, a pintora embalou tela, cavalete e tintas e foi passear para junto de um tranquilo lago não longe de casa. Conhecia um lugar bonito e plano em cima de uma rocha de onde tinha vista para os bosques e montanhas ao fundo. Aí montou o cavalete com a tela e começou a pintar com pinceladas generosas. Na árvore oca que estava por detrás dela, morava um gnomo da montanha que a observava enquanto pintava. — Isto é que é um quadro esquisito! — disse ele, quando Rosa acabou de pintar. — Nem se vê o lago nem as montanhas. Como se chama este quadro?

 

— O quadro chama-se As cores do Outono — disse Rosa Ratinha. — Não se vê o lago nem as montanhas, é verdade. Só pintei o Outono, aquilo que sinto quando olho para esta paisagem. — Ah, agora entendo — disse o gnomo. — É muito interessante. De repente, levantou-se um vento forte que arrancou a tela do cavalete. Ela foi pelo ar a voar e desapareceu entre as árvores na margem do lago. Rosa Ratinha desceu a montanha e foi buscar o quadro. Tinha dois rasgões e havia muitas folhas, agulhas de pinheiro e pedrinhas coladas na tinta fresca.

 

— Que pena — disse o gnomo da montanha. — O quadro agora está estragado. — De forma alguma! — exclamou Rosa Ratinha. — Agora é que está completo! O vento do Outono também participou na pintura e imortalizou-se no quadro com estes dois rasgões. E as folhas que estão coladas também são bem-vindas. Agora, o quadro tem uma história e só agora começou a viver!

 

Erwin Moser Mario der Bär Weinheim Basel, Parabel, 2005 Texto adaptado

 

 

 

 

 

FAMÍLIAS DESAVINDAS

 

 

Por uma dessas alongadas ruas do Porto, que sobe que sobe e não se acaba, há-de encontrar-se um cruzamento alto, de esquinas de azulejo, janelas de guilhotina telhados de ardósia em escama. Faltam razões para flanar por esta rua, banal e comprida, a não ser a curiosidade por um insólito dispositivo conhecido de poucos: os únicos semáforos do mundo movidos a pedal, sobreviventes a outros que ainda funcionavam na Guatemala, no início dos anos setenta.

 

No dobrar do século XIX, Gerard Letelessier, jovem engenheiro francês, fracassou em Paris e em Lisboa, antes de convencer um autarca do Porto de que inventara um semáforo moderno, operado a energia eléctrica, capaz de bem ordenar o trânsito de carroças de vinho, carros de bois e landós da sociedade. A autoridade gostou do projecto e das garrafas de Bordéus que o jovem engenheiro oferecia. Os semáforos estiveram ensejados para a Ponte, mas, de proposta em proposta (sempre se tratava de uma implantação experimental), acabaram na infrequentada Rua Fernão Penteado, na intersecção com a travessa de João Roiz Castelo Branco.

 

O sistema é simples e, pode dizer-se com propriedade, luminoso. Um homem pedala numa bicicleta erguida a dez centímetros do chão por suportes de ferro. A corrente faz girar um imã dentro de uma bobina. A energia gerada vai acender as luzes de um semáforo, comutadas pelo ciclista. Durante a Primeira Guerra foi introduzida uma melhoria. Uma inspecção da Câmara concluiu que a roda da frente era destituída de utilidade. Foi retirada.

 

Houve muitos candidatos ao cargo de samaforeiro, embora um equívoco tivesse levado à exigência de que os concorrentes soubessem andar de bicicleta. A realidade corrigiu o dislate porque acabou por ser escolhido um galego chamado Ramon, que era familiar do proprietário dum bom restaurante e nunca tinha pedalado na vida. Mas Ramon era esforçado, cheio de boa vontade. A escolha foi acertada.

 

 

 

 

FAMÍLIAS DESAVINDAS : PARTE II

 

 

Durante anos e anos o bom do Ramon pedalou e comutou. Por alturas da segunda Grande Guerra foi substituído pelo seu filho Ximenez, pouco depois da revolução de Abril pelo neto Asdrúbal, e, um dia destes, pelo bisneto Paco. A administração continua a pagar um vencimento modesto, equivalente ao de jardineiro. Mas não é pelo ordenado que aquela família dá ao pedal. É pelo amor à profissão. Altas horas da madrugada, avô, neto e bisneto foram vistos de ferramenta em riste a afeiçoar pormenores. Fizeram questão de preservar a roda de trás e opuseram-se quase com selvajaria a um jovem engenheiro que considerou a roda dispensável, sugerindo que o carreto bastasse.

 

Os transeuntes e motoristas do Porto apreciam estes semáforos manuais, porque é sempre possível personalizar a relação com o sinal. Diz-se, por exemplo, «Ó Paco, dá lá um jeitinho!» e o Paco, se estiver bem-disposto, comuta, facilita.

 

Acontece que, mesmo à esquina, um primeiro andar vem sendo habitado por uma família de médicos que dali faz consultório. Pouco antes da instalação dos semáforos a pedal, veio morar o Doutor João Pedro Bekett, pai de filhos e médico singular. Chegou de Coimbra com boa fama mas transbordava de espírito de missão. Andava pelas ruas a interpelar os transeuntes: «Está doente? Não? Tem a certeza? E essas olheiras, hã? Venha daí que eu trato-o.» E nesta ânsia de convencer atravessava muitas vezes a rua. O semáforo complicava. Aproximou-se do Ramon e bradou, severo: «A mim, ninguém me diz quando devo atravessar uma rua. Sou um cidadão livre e desimpedido.» Ramon entristeceu. Não gostava que interferissem com o seu trabalho e, daí por diante, passou a dificultar a passagem ao doutor. Era caso para inimizade.

 

E eis duas famílias desavindas. Felizmente, nunca coincidiram descendentes casadoiros. Piora sempre os resultados. Ao Dr. Pedro sucedeu o filho João, médico muito modesto. Informava sempre que o seu diagnóstico era provavelmente errado. Enganava-se, era um facto. Mas fazia questão de orientar os pacientes para um colega que desse uma segunda opinião. Herdou o ódio ao semáforo e passava grande parte do tempo à janela, a encandear Ximenez com um espelho colorido. Já entre o jovem médico Paulo e Asdrúbal quase se chegou a vias de facto. O médico passava e rosnava «Sus, galego». E Asdrúbal, sem parar de dar ao pedal: «Xó, magarefe!» Uma tarde, Asdrúbal levantou mesmo a mão e o doutor encurvou-se e enrijou o passo.

 

Este Dr. Paulo era muito explicativo. Ouvia as queixas dos doentes, com impaciência, e depois impunha silêncio e começava: «As doenças são provocadas por vírus ou por bactérias. No primeiro caso, chamam-se viróticas, no segundo, bacterianas.» E estava horas nisto, até o doente adormecer. Colegas maliciosos sustentavam que ele praticava a terapia do sono. Mas a maioria dos doentes gostava de ouvir explicar. Alguns até faziam perguntas. Após a consulta, muito à puridade, o Dr. Paulo pedia aos clientes que passassem pelo homem do semáforo e lhe dissessem: «Arrenego de ti, galego!» Isto foi assim com Asdrúbal e, mais recentemente, com Paco.

 

Há dias, vinha do almoço o Dr. Paulo com uma trouxa-de-ovos na mão, e já trazia entredentes o «arrenego!» com que insultaria o semaforeiro, quando aconteceu o acidente. Ao proceder a um roubo por esticão um jovem que vinha de mota teve uns instantes de desequilíbrio, raspou por Paco e deixou-o estendido no asfalto. Era grave. O Dr. Paulo largou ódios velhos, não quis saber de mais nada e dobrou-se para o sinistrado: «Isto, em matéria de lesões, elas podem ser provocadas por três espécies de instrumentos: contundentes, cortantes, ou perfurantes.» Uma ambulância levou o Paco antes que o doutor tivesse entrado no capítulo das «manchas de sangue».

 

Enganar-se-ia quem dissesse que o semáforo ficou abandonado. Uma figura de bata branca está todos os dias naquela rua, do nascer ao pôr do Sol, a accionar o dispositivo, pedalando, pedalando, até à exaustão. É o Dr. Paulo cheio de remorsos, que quer penitenciar-se, ser útil, enquanto o Paco não regressa.

 

Mário de Carvalho, Contos Vagabundos, Lisboa, Editorial Caminho, 2000

 

 

 

 

CHURRASCO FOTEADO

 

Volta e meia alguém me lembra do texto sobre um churrasco de fogo de chão. Já que querem vou descritar (descrever por meio da escrita!) um assado que ocorreu semana que passou. O "uncle" Brod estava botando mais uma velinha no bolo e, como sempre, um churras se propiciou. Só que desta feita, o assador acertado foi o Tio Ira (basquete do São José), que foi se oferecendo antes que eu pudesse abrir a boca. Buenas, pensei cá com meus botões, vou aproveitar e fotografar todo o preparo desse churrasco, para ilustrar (mais ainda) a minha página sobre o assunto na Internet.

 

Essa mesmo!!! O churrasco foi cometido na aprazível churrasqueira da náutica do Clube de Caça e Pesca. Cedo nos movemos para o clube para fazer as checagens preliminares. Logo percebi que Tio Ira é assador com larga experiência nas costas. Faca decente, aventalzinho do Moreira e grelha própria... como diria o Motta: - Um luxo! Ambiente checado, carnes desembrulhadas, facas chairadas, carvão espalhado fomos para a beira do arroio espiar o entardecer e espantar o calor.

 

Começou a trovejar e "relampear", dai à pouco um poderoso raio despenca por perto, só me lembro das nossas calvas branqueando e, como num passe de mágica, estávamos de novo defronte a churrasqueira, acendendo o fogo, enquanto lá fora, o céu desabava em forma de água. O assador trouxe salsichão do Castro, costela cortada em tiras e um belo vazio. Eu já estava fotografando tudo desde o início, com a minha Canon, essas automáticas moderninhas que fazem tudo, inclusive zoom (aproximação) o que causa as gozações de praxe: - Máquina erótica.... Zoom pornô... etc. Começou chegar a parceria e o Irapuã jogou um enrolado de salsichão e algumas tiras para a grelha.

 

O barulhinho do gelo nos copos de uísque e da cerveja sendo aberta, fazia contraponto ao som da graxa pingando nas brasas. “Siguidinha” (parente do ‘arecenzinha”), saiu um salsichão em rodelas para dar início aos trabalhos. Farinha e um chimichurri com “Adobo” no cacetinho (só em Pelotas!), ajudavam o festival de piadas, balacas e papo furado típicos desse tipo de evento. Quando saiu a primeira tira de costela, pudemos provar e comprovar a competência do piloto de grelha. Carne dourada, gordurinha crocante e sabor exuberante calaram nossas ávidas bocas por alguns instantes.

 

Foi chegando a parceria do pós-novela, mais carne foi sendo servida e eu intercalando nacos de carne com clicks da máquina. Supimpa! Até uma salada de batatas foi relegada ao segundo plano, tal a qualidade do assado. O ponto alto foi vazio, que arrematou o assado nota dez, do mestre Ira. Seguiu-se aquela conversinha mais calma regada à cerveja, Até que o “uncle” que aniversariava começou a falar de bife e de pastel, nos obrigando a uma retirada estratégica. Ano que vem tem mais.

 

 

AS ÉGUAS E AS ONÇAS

 

 

Dessa vez, estava ele com um companheiro de viagem, lá pelo meio do Mato Grosso, com uma carga de éguas. Quando saíram para a cidade que iam, um Matogrossense ainda avisou que a estrada era de terra e que, se chovesse, eles teriam problemas e poderiam atolar. Quando o amigo disse que desatolava, o gaiato respondeu: "Só toma cuidado com as onças!"

 

Dito e feito! Choveu, o caminhão atolou e a noite chegou. As éguas começaram a ficar agitadas e os dois começam a discutir: - Vai lá ver, Gê! (Gê é meu sogro) - Eu não, vai você. - Eu hein! Vai que é onça. - Ah, e eu posso ir ver a onça. - E se comer as éguas??? - Antes elas do que eu.

 

E as éguas ficando agitadas, os dois se borrando de medo dentro do caminhão, não saíam nem para fazer as necessidades. Olhavam para fora, um breu só, não se via nada. Nem abriam o vidro, vai que a onça entra. Uma hora, acordaram, já de manhã, com uma pancada no vidro do caminhão. Era o motorista de um ônibus de bóia fria. Os bóia frias ajudaram a desatolar o caminhão, mas perguntaram se os dois passaram a noite ali. Meio sem jeito, com um pouco de vergonha, responderam que sim, que preferiram não tentar desatolar de noite por causa das onças. Até que um respondeu: - Aqui não tem onça, não. No meio das fazendas elas não entram, o pessoal espanta. E lá se foram os dois, atrasados, enlameados e com um caminhão de bóia fria, rindo dos dois.

 

 

 

 

 

 

O CICLO DOS DOIS COMPADRES

 

 

 

O ciclo dos dois compadres tem história muito interessante, e sem dúvida este relato do folclore valparaibano é dos melhores: Moravam numa fazenda dois compadres. Um rico, que era o fazendeiro, outro tão pobre que não possuía de seu nem a tapera onde morava. Andava em farrapos e não tinha muitas vezes o que comer. Num certo Natal, em que as coisas andaram particulamente más, sentados diante do fogão apagado, o compadre pobre e sua mulher conversavam com amargura, que não poderiam cear, por não ter o que.

 

— Nosso compadre bem poderia ter se lembrado de nós, com uma leitoinha, não mulher? A esse diminutivo carinhoso de leitoa, lambeu ele mesmo os lábios. — É mesmo. E a mulher também lambeu os beiços de vontade de comer carne assada. — E se a gente fosse roubar uma...? — Credo! — exclamou a mulher, porém ficou pensativa. Permaneceram em silêncio longo tempo, e, por fim, o marido resolveu: — Quer saber de uma coisa, mulher? Nós vamos roubar uma leitoa do compadre. Ele é miserável, não deu por bem, vai dar sem querer.

 

Lá se foram, marido e mulher, para a aventura. Ele seguiu abaixado pelo meio do mato, pois queria entrar no chiqueiro pelos fundos. A mulher pôs um lençol na cabeça e ficou numa santa cruz à beira do caminho, fingindo-se de fantasma, para espantar algum possível viandante, que desconfiasse das furtivas idas e vindas do homem. Altas horas da noite escura, um andante passou, se benzendo pela santa cruz. Olhou para dentro dela e viu um vulto branco. Firmou bem os olhos e o vulto se moveu, agitando os braços. No mesmo instante o fantasma começou a dar gemidos feios, como de quem estava morrendo. Não foi preciso mais. O homem desandou a correr pela estrada a fora e chegou à cidade botando os bofes pela boca.

 

Ora, na estrada da cidade morava um sapateiro sem pernas que batia solas até horas mortas pois o serviço era muito e ele não tinha ajudante. Estava entretido no remendo de um sapato, quando entrou um desconhecido como um furacão pela oficina a dentro. — Que é que o senhor quer aqui a estas horas? — perguntou o sapateiro, mas logo se calou espantado, pois o homem estava mais branco do que cera e cambaleava como um embriagado. — Puxe uma cadeira e sente, homem. Que foi isso? Que aconteceu? O homem sentou-se e depois de ter se acalmado e bebido água, por causa do susto, contou a história do fantasma, visto e ouvido na santa cruz do caminho.

 

O CICLO DOS DOIS COMPADRES: PARTE II

 

— Bobagem! disse o sapateiro fazendo uma careta de pouco caso — Fantasma é coisa que não existe. — Existe — Eu vi. Vamos lá que o senhor verá também. — Bem que eu gostaria de ir — falou o sapateiro — Mas não tenho pernas. — Por isso não, eu levo o senhor nas costas. Houve alguma relutância por parte do sapateiro, mas, por fim acabou montando no desconhecido e já se foram ambos ver a assombração.

 

E então aconteceu novamente uma coisa espantosa. Quando iam chegando, a mulher viu o homem com um volume nas costas, como estava escuro, para que pudesse reconhecê-lo, pensou que fosse o marido com um leitão e perguntou: — Voce trouxe ele vivo ou morto? Ah! Foi um Deus nos acuda! O homem soltou um berro de fazer tremer as pedras, jogou o sapateiro no chão, e saiu correndo. Qual não foi o seu espanto, quando, ao passar pela sapataria, na entrada da cidade viu lá o sapateiro sentado, remendando o mesmo velho sapato! — Meu Deus — gemeu ele, pensando que estava vendo outra assombração. — Meu Deus!... Eu joguei esse homem no chão, longe daqui mais de sete quilômetros. Esse homem não tem pernas. Como foi que ele chegou aqui na minha frente?

 

Entrou na sapataria e perguntou: — Você é o sapateiro sem pernas? — Sou, sim senhor. — Não existe outro nesta cidade, aleijado como você? — Não senhor. O homem não conseguia acreditar. — Então foi você mesmo quem foi ver a assombração montado nas minhas costa? — Eu mesmo, sim senhor. — Então homem — bradou, sem poder se conter — Como é que você sem pernas, chegou aqui primeiro do que eu?

 

— Não tenho pernas, mas tenho braços e tenho cabeça. — disse o sapateiro — Olhe aqui na minha testa. Ai o outro reparou que ele estava com a testa esfolada e cheia de terra. Mas assim mesmo não compreendeu o mistério. — Que foi isso? — perguntou sem saber o que pensar. — Isto? Quando eu vi que ficava sozinho lá no meio da estrada, naquele escuro, junto com uma assombração, resolvi correr de qualquer jeito. Não tenho pernas, corri com as mãos e com a cabeça. Punha a cabeça no chão e virava uma cambalhota. Tornava a por a testa no chão e dava outra cambalhota.

 

O desconhecido deu muita risada e disse: — Assim é que você não acreditava em fantasma? O sapateiro também riu, ficaram os dois muito amigos, e foram cear juntos. E lá na tapera do compadre pobre houve uma bela consoada com leitão assado na ponta do espeto, recheado de farofa.

 

Guimarães, Ruth. "O ciclo dos dois compadres". Jornal de Notícias, São Paulo, 8 de abril de 1951

 

 

 

 

 

 

A PEQUENA SEREIA

 

 

Adaptado do conto original de Hans Christian Andersen

 

Muito longe da terra, onde o mar é muito azul, vivia o povo do mar. O rei desse povo tinha seis filhas, todas muito bonitas, e donas das vozes mais belas de todo o mar, porém a mais moça se destacava, com sua pele fina e delicada como uma pétala de rosa e os olhos azuis como o mar. Como as irmãs, não tinha pés mas sim uma cauda de peixe. Ela era uma sereia. Essa princesa era a mais interessada nas histórias sobre o mundo de cima, e desejava poder ir à superfície; queria saber tudo sobre os navios, as cidades, as pessoas e os animais. — Quando você tiver 15 anos — dizia a avó — subirá à superfície e poderá se sentar nos rochedos para ver o luar, os navios, as cidades e as florestas. Os anos se passaram... Quando a princesa completou 15 anos mal pôde acreditar. Subiu até a superfície e viu o céu, o sol, as nuvens... viu também um navio e ficou muito curiosa. Foi nadando até se aproximar da grande embarcação. Viu, através dos vidros das vigias, passageiros ricamente trajados. O mais belo de todos era um príncipe que estava fazendo aniversário, ele não deveria ter mais de 16 anos, e a pequena sereia se apaixonou por ele. A sereiazinha ficou horas admirando seu príncipe, e só despertou de seu devaneio quando o navio foi pego de surpresa por uma tempestade e começou a tombar. A menina viu o príncipe cair no mar e afundar, e se lembrou de que os homens não conseguem viver dentro da água. Mergulhou na sua direção e o pegou já desmaiado, levando-o para uma praia. Ao amanhecer, o príncipe continuava desacordado. A sereia, vendo que um grupo de moças se aproximava, escondeu-se atrás das pedras, ocultando o rosto entre os flocos de espuma. As moças viram o náufrago deitado na areia e foram buscar ajuda. Quando finalmente acordou, o príncipe não sabia como havia chegado àquela praia, e tampouco fazia idéia de quem o havia salvado do naufrágio. A princesa voltou para o castelo muito triste e calada, e não respondia às perguntas de suas irmãs sobre sua primeira visita à superfície.

 

A PEQUENA SEREIA : PARTE II

 

A sereia voltou várias vezes à praia onde tinha deixado o príncipe, mas ele nunca aparecia por lá, o que a deixava ainda mais triste. Suas irmãs estavam muito preocupadas, e fizeram tantas perguntas que ela acabou contando o que havia acontecido. Uma das amigas de uma das princesas conhecia o príncipe e sabia onde ele morava. A pequena sereia se encheu de alegria, e ia nadar todos os dias na praia em que ficava seu palácio. Observava seu amado de longe e cada vez mais gostava dos seres humanos, desejando ardentemente viver entre eles. A princesa, muito curiosa para conhecer melhor os humanos, perguntou a sua avó se eles também morriam. — Sim, morrem como nós, e vivem menos. Nós podemos viver trezentos anos, e quando “desaparecemos” somos transformadas em espuma. Nossa alma não é imortal. Já os humanos têm uma alma que vive eternamente. — Eu daria tudo para ter a alma imortal como os humanos! — suspirou a sereia. — Se um homem vier a te amar profundamente, se ele concentrar em ti todos os seus pensamentos e todo o seu amor, e se deixar que um sacerdote ponha a sua mão direita na tua, prometendo-te ser fiel nesta vida e na eternidade, então a sua alma se transferirá para o teu corpo. Ele te dará uma alma, sem perder a dele... Mas isso jamais acontecerá! Tua cauda de peixe, que para nós é um símbolo de beleza, é considerada uma deformidade na terra. A sereiazinha suspirou, olhando tristemente para a sua cauda de peixe e desejando ter um par de pernas em seu lugar. Mas a menina não esquecia a idéia de ter uma alma imortal e resolveu procurar a bruxa do mar, famosa por tornar sonhos de jovens sereias em realidade... desde que elas pagassem um preço por isso. O lugar onde a bruxa do mar morava era horrível, e a princesa precisou de muita coragem para chegar lá. A bruxa já a esperava, e foi logo dizendo: — Já sei o que você quer. É uma loucura querer ter pernas, isso trará muita infelicidade a você! Mesmo assim vou preparar uma poção, mas essa transformação será dolorosa. Cada passo que você der será como se estivesse pisando em facas afiadas, e a dor a fará pensar que seus pés foram dilacerados. Você está disposta a suportar tamanho sofrimento? — Sim, estou pronta! — disse a sereia, pensando no príncipe e na sua alma imortal.

 

 

 

 

A PEQUENA SEREIA : PARTE III

 

— Pense bem, menina. Depois de tomar a poção você nunca mais poderá voltar à forma de sereia... E se o seu príncipe se casar com outra você não terá uma alma imortal e morrerá no dia seguinte ao casamento dele. A sereiazinha assentiu com a cabeça e, sem dizer uma palavra, ficou observando a bruxa fazer a poção. — Pronto, aqui está ela... Mas antes de entregá-la a você, aviso que meu preço por este trabalho é alto: quero a sua linda voz como pagamento. Você nunca mais poderá falar ou cantar... A princesa quase desistiu, mas pensou no seu príncipe e pegou a poção que a bruxa lhe estendia. Não quis voltar para o palácio, pois não poderia falar com suas irmãs, sua avó e seu pai. Olhou de longe o palácio onde nasceu e cresceu, soltou um beijo na sua direção e nadou para a praia. Assim que bebeu a poção, sentiu como se uma espada lhe atravessasse o corpo e desmaiou. Acordou com o príncipe observando-a. Ele a tomou docemente pela mão e a conduziu ao seu palácio. Como a bruxa havia dito, a cada passo que a menina dava sentia como se estivesse pisando sobre lâminas afiadíssimas, mas suportava tudo com alegria pois finalmente estava ao lado de seu amado príncipe. A beleza da moça encantou o príncipe, e ela passou a acompanhá-lo em todos os lugares. À noite, dançava para ele, e seus olhos se enchiam de lágrimas, tamanha dor sentia nos pés. Quem a visse dançando ficava hipnotizado com sua graça e leveza, e acreditava que suas lágrimas eram de emoção. O príncipe, no entanto, não pensava em se casar com ela, pois ainda tinha esperança de encontrar a linda moça que ele vira na praia, após o naufrágio, e por quem se apaixonara. Ele não se lembrava muito bem da moça, e nem imaginava que aquela menina muda era essa pessoa...

 

A PEQUENA SEREIA : PARTE IV

 

Todas as noites a princesinha ia refrescar os pés na água do mar. Nessas horas, suas irmãs se aproximavam da praia para matar a saudade da caçulinha. Sua avó e seu pai, o rei dos mares, também apareciam para vê-la, mesmo que de longe. A família do príncipe queria que ele se casasse com a filha do rei vizinho, e organizou uma viagem para apresentá-los. O príncipe, a sereiazinha e um numeroso séquito seguiram em viagem para o reino vizinho.

 

Quando o príncipe viu a princesa, não se conteve e gritou: — Foi você que me salvou! Foi você que eu vi na praia! Finalmente encontrei você, minha amada! A princesa era realmente uma das moças que estava naquela praia, mas não havia salvado o rapaz. Para tristeza da sereia, a princesa também se apaixonara pelo príncipe e os dois marcaram o casamento para o dia seguinte. Seria o fim da sereiazinha. Todo o seu sacrifício havia sido em vão.

 

Depois do casamento, os noivos e a comitiva voltaram para o palácio do príncipe de navio, e a sereia ficou observando o amanhecer, esperando o primeiro raio de sol que deveria matá-la. Viu então suas irmãs, pálidas e sem a longa cabeleira, nadando ao lado do navio. Em suas mãos brilhava um objeto. — Nós entregamos nossos cabelos para a bruxa do mar em troca desta faca. Você deve enterrá-la no coração do príncipe. Só assim poderá voltar a ser uma sereia novamente e escapará da morte. Corra, você deve matá-lo antes do nascer do sol. A sereia pegou a faca e foi até o quarto do príncipe, mas ao vê-lo não teve coragem de matá-lo. Caminhou lentamente até a murada do navio, mergulhou no mar azul e, ao confundir-se com as ondas, sentiu que seu corpo ia se diluindo em espuma.

 

 

 

O TAR .....

 

Tava eu andando suzinho a noite indo para fazenda do Sinhô Vardemar quando passou por mim um troço preto, parei na hora, fiquei olhando... Derrepente escuto um uivado, pensei ser um cachorro daqueles que a gente chama por aqui de americanos, gerarmente usado para ser o mestre, mas não, esse troço começou a uivar e vir para o meu lado, fiquei branquinho, o coração parpitou ligeirinho, moçô do céu o senhô não imagina o trem que dá aqui dentro de nóis parece que nóis vai se borrar tudinho, mas o troço era feio, tão feio que duía até os zoios..

 

Aí eu pensei comigo, pra onde vou? Mas logo lembrei que um amigo meu chamado Zé disse que esse tar do chorro grande é lobisome e que é um home que vira cachorro ou lobo, vai saber né? Pensei, será que com uma faca eu mato esse cachoro, ou melhor, esse home, mas nisso o trem foi chegando mais perto e chegando, a única coisa que fiz foi correr, meu deus, como corri, corri mais que lobinho fugindo da onça, foi um troço muito esquisito, a sorte minha foi que tinha uma cerca e pulei, passando para o outro lado, nisso o lobisome não passou pela cerca, vortei para o rancho muito calado e cum muito medo, não sei o que era, mas garanto que gente não era.

 

A ONÇA PINTADA

 

 

Esse causo é de onça pintada, foi numa certa noite muito quente daquela do mês de janeiro quando o pantanal tava cheio, armemos nossas redes nos bacuris, num capão de mata, tava tão quente que eu durmi com a camisa aberta. Lá por meia noite senti um troço áspero na minha barriga, mas não importei, virei pro lado e continuei durmindo.

 

Passou mais um pouquinho senti novamente só que dessa vez a coisa tava mais áspera. Derrepente sinti um troço subindo do meu umbigo pro pescoço e quando acordei vi que era uma ONÇA...e de susto dei um TAPA no rosto dela, ela saiu doida, eu acho que também assustou comigo, depois fui perceber que ela tava me lambendo por causa do suor do meu corpo porque naquela noite tava muito quente. Será que a onça gostou do meu suor e ela voltará depois? Ufâ ainda bem que foi embora! Que noite!

 

 

 

 

A PRIMA

 

 

- Mariana, tudo bem? Eu estou ligando para lhe convidar para a missa que vamos mandar celebrar no dia 30 pelos quinze anos de minha neta. Mariana não reconheceu imediatamente a interlocutora do outro lado da linha, mas procurava assimilar as informações. -Eu acho que Marquinhos não gosta muito de Igreja... se ele não quiser ir, não tem problema,. De qualquer forma, está feito o convite.

 

Naquele momento Mariana identificou a pessoa que lhe falava. Somente as primas de Marcos o chamavam pelo apelido de infância. Terminada a ligação, ela procurou o marido, que navegava na internet. - Sua prima Salete ligou, convidando para uma missa em homenagem aos quinze anos da neta. Ela contou o que a prima achava sobre sua disposição para freqüentar igrejas. Sentia algo no ar, como se o convite fosse apenas uma formalidade. E voltou quarenta anos no tempo, para um passado que Salete nem imaginava.

 

- Ela não tem a menor idéia de quem está convidando para o evento chique da sua neta. Convida, porque é mulher do primo. Mas eu me lembro muito bem de quando ela morava em Mata Grande. Ela era rica e fazia parte do Lions, com seu marido, Narciso. Tudo de importante que ocorria na cidade tinha a participação deles. Marcos sabia que elas tinham sido contemporâneas. Por muitas vezes ela havia feito referência a sua prima e a Narciso, que era tido como enrolão. Mas Mariana continuou contando uma história que guardava havia 25 anos, o tempo de duração do seu casamento, até então.

 

- Nunca esqueci e nunca vou esquecer daquela mulher. Seu rosto mostrava a emoção que sentia ao relembrar aquela época. A voz também denunciava seu estado de nervos. - Houve uma seleção de meninas que realizariam um trabalho para um evento que seria realizado na cidade. Eu estava entre as meninas que preenchiam todos os requisitos. Ela me achava alta, bonita, simpática e educada. Mas eu fui preterida pela sua prima. O pior é que ela nem imagina que eu soube do que ela disse justificando a minha exclusão.

 

- Soube como? Indagou-lhe o marido, intrigado. - Entre as classificadas ficou uma colega minha, que casualmente ouviu-a explicar a minha saída: “ela teria todas as condições, mas é filha de motorista”. Walter Medeiros

 

 

A ENTRADA

 

Walter Medeiros

 

Geruza era muito distraída e descuidada. Ela mesmo ria muitas vezes com os amigos, das situações engraçadas que protagonizava. Vez por outra estava ela, por exemplo, em vias de colocar café no fundo da xícara, antes de desemborcá-la. Em outras ocasiões estava parada tentando lembrar o que havia poucos instantes decidira fazer.

 

Certa manhã diriga-se para a casa de um irmão, onde pretendia passar o domingo. Seguia com um casal de amigos. Já estavam no conjunto habitacional onde ele morava. Na direção, o amigo lembrava que estava próximo e que quando fosse para entrar em alguma rua diferente, que ela avisasse, pois ele nunca tinha ido à casa do amigo. - Pode seguir em frente! – exclamava Geruza, de vez em quando.

 

Conversando com a amiga, lá seguia ela distraída. O amigo estranhou chegar ao fim da rua sem receber a orientação para entrar. Seguisse em frente, estariam na zona rural, que era para onde conduzia aquele caminho de areia. Parado na última rua, indagou, calmamente: - E agora? - Vai em frente... - Em frente só tem mato... Ah!, a Entrada... – afirmou, dando bela gargalhada, para em seguida mandar voltar e prometendo prestar toda atenção.

 

Ela mesma tinha ido a São Paulo visitar um outro irmão. Depois de semanas com os familiares, era chegado o dia do retorno. Despacharam a bagagem e despediram-se na entrada do salão de embarque, no Aeroporto de Guarulhos. Ela esperou a hora de seguir viagem. Até que aquele sempre simpático pessoal de terra chamou o seu vôo. Apresentou-se e seguiu junto com os demais passageiros, corredores adentro e afora. E desceram por uma grande escada, passando a outro salão. Atravessou a última porta e deu com um ônibus da SATA. - ?

 

Uma grande interrogação na sua mente. Imitava os colegas de viagem, sentada naquele apetrechado veículo, que partia, mas totalmente intrigada: - “Eu tenho certeza que comprei passagem pra viajar de avião...” Depois voou sorridente e aliviada, sem contar pra ninguém o susto que passara.

 

 

 

 

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